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COLUNA DA MARTA

Marta Fernandes de Sousa Costa

 

 

Higiene, um assunto constrangedor

 

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Nas páginas dedicadas às manifestações dos leitores, em determinado jornal, surgiu uma interessante polêmica, quando dois deles discordaram sobre a importância da higiene e da apresentação pessoal, tanto no trato social como no profissional.
No primeiro artigo, uma senhora se dizia desconsiderada por ter entrado num táxi em que a higiene do motorista deixava muito a desejar. Referiu-se, inclusive, à vestimenta, que considerou inapropriada.
Logo outro, indignado, respondeu ao artigo, perguntando se agora as pessoas valiam pela aparência. Argumentou que higiene não era importante, importante era a maneira como o motorista guiava o seu táxi, e disso a senhora realmente não havia reclamado.
Fiquei pensando na questão, cada um com o seu tanto de razão, como costuma acontecer. Depois, imaginei um adolescente, desses bem normais, falando pra mãe, cheio de razão: “Eu não disse que a apresentação não conta?”? Aí, não resisti: tive que meter a colher torta, seja o que Deus quiser.
Acontece que a aparência e a higiene contam, sim. Não a aparência demonstrada por roupas de grifes, embora em algumas situações elas causem efeito, não há como negar. Mas a aparência que denota capricho, principalmente.
Se alguém se apresenta com roupas remendadas, mas limpas, para um serviço humilde, tem muito mais chances de ser aceito que outro que se apresente mal-cheiroso e com os dentes amarelos, por exemplo.
Caso a recomendação seja muito boa (ou enorme a necessidade), porém, até pode ser válido o esforço de ensinar. Em outros tempos, tive funcionárias chegadas do interior, onde o banho era artigo de luxo. Até hoje me espanto da minha franqueza, instruindo-as para que tomassem banho, todos os dias. Fornecia banho quente, sabonete, toalha, desodorante, pasta e escova de dentes e elas logo tomavam gosto. Houve uma, excelente profissional, que me surpreendeu, pois continuava com cheiro ruim, apesar de todos os meus esforços. Lá pelas tantas, atinei: ela tomava banho, mas não trocava a roupa íntima. Nova investida da minha parte (haja cara-de-pau) e ela entrou nos eixos e ficou comigo por vários anos.
E não é só na vida profissional que a higiene conta. Todos conhecem histórias de meninas que afastam os pretendentes, quando a proximidade acusa o banho vencido e o desodorante considerado desnecessário. Por outro lado, qual não foge daqueles com “hálito de múmia?”.
Mas não só os jovens padecem desse mal. Certa vez, ofereci carona a uma senhora. Era inverno e o carro estava fechado. Mal ela sentou, percebi o erro. O meu nariz começou a correr, incontrolavelmente, a alergia detonada pelo mau cheiro que exalava, apesar das boas roupas. Fiquei na situação ridícula de parar o carro, achar o lenço dentro da bolsa e seguir guiando e assoando o nariz, com o lenço a postos no colo. Ela deve ter me considerado louca por oferecer a carona, estando tão “resfriada”.
Pena que o taxista desta história só saberá do seu problema se ler o jornal e conseguir se identificar como o protagonista, pois precisaria existir alguém que o valorizasse muito para ter a coragem de tocar em assunto tão delicado. Por outro lado, se o pudor impede aos outros de apontarem os nossos problemas, o melhor é ligar logo o “desconfiômetro”, antes que as pessoas comecem a se afastar, discretamente.

 

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